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Dr. Carlos Alexandre de Oliveira e Silva

Médico e articulista do Jornal Atual

Cálculo Renal

O cálculo (litíase) renal é uma das doenças mais frequentes do trato urinário, que afeta uma em cada 5 pessoas em alguma fase da vida. Os fatores epidemiológicos envolvem raça, sexo, idade, aspectos nutricionais e dietéticos, clima, ocupação profissional e atividade física, sendo os mais importantes a herança hereditária e os fatores dietéticos. Além de ser muito comum, pode levar a episódios de dor muito forte, internações em prontos-socorros, cirurgias de urgência e risco de perda de função renal.

A dor da cólica renal é uma das mais fortes que uma pessoa pode ter. Em geral começa subitamente na região lombar e se irradia para a região inguinal, estando associada a náuseas e vômitos.

A dor em geral se dá quando o cálculo sai do rim e vai em direção à bexiga através do canal do ureter. Quando o cálculo é grande, ele entope o ureter e causa dilatação do rim, levando a dor intensa.

O cálculo quando está no rim também pode doer, porém em geral é uma dor de menor intensidade. O diagnóstico de cálculo renal pode ser feito com um ultrassom, urografia excretora ou com tomografia de abdome e pelve.

O tratamento do cálculo renal ou ureteral depende da localização do cálculo, do seu tamanho, da densidade do cálculo e dos sintomas do paciente. As opções de tratamento vão desde a observação, utilização de medicamentos, litotripsia extracorpórea por ondas de choque, retirada do cálculo através de ureteroscopia, cirurgia renal percutânea, cirurgia laparoscópica ou cirurgia convencional. Cálculos menores que 0,5cm que não causam sintomas, em geral são observados, pois tem grande chance de serem eliminados. Cálculos de ácido úrico têm chance de ser dissolvidos com medicações.

A Litotripsia Extracorpórea (LECO) é um tratamento realizado para cálculos renais de até 1,5 cm que não sejam muito duros. É feito com anestesia ou sedação, ambulatorialmente. Uma máquina gera ondas de choque que são direcionadas para o cálculo na tentativa de fragmentá-lo para que depois o paciente os elimine. Após o procedimento pode haver episódios de cólica de rim e sangramentos leves na urina. Caso o cálculo não seja eliminado totalmente, outras aplicações podem ser necessárias. As taxas de sucesso estão em cerca de 30 a 60%

Os cálculos renais não muito grandes podem ser tratados também com equipamentos endoscópicos que visualizam o cálculo e o fragmentam com laser. Este método é chamado de ureterolitotripsia e tem altas taxas de sucesso (90 a 98%). É feito com anestesia, via ambulatorial ou com internação de 1 dia. Cálculos maiores que 2 cm são melhor tratados por cirurgia renal percutânea, onde uma câmera é introduzida no rim através de uma incisão de 1cm na pele. Através desta incisão, o cálculo é fragmentado e retirado. Também é feito com anestesia, porém o paciente fica internado no hospital por cerca de 36 a 60h. As taxas de sucesso são muito altas (de 80 a 95%). As cirurgias convencionais ou laparoscópicas em geral se restringem a casos especiais onde as outras técnicas falharam ou não se aplicam.

Carlos Alexandre de Oliveira e Silva - Médico e articulista do Jornal Atual
*O texto representa a opinião do autor.

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