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Dr. Carlos Alexandre de Oliveira e Silva

Médico e articulista do Jornal Atual

Ninguém está livre de precisar de uma transfusão de sangue. Não se descobriu um substituto para o sangue humano, que é utilizado nos mais diversos casos, desde acidentes de trânsito a pacientes cardíacos e qualquer pessoa que se submeta a uma cirurgia com riscos de sangramento. Quatro é o número de vidas que podem ser salvas com cada doação de sangue. Uma unidade de sangue total doado pode ser fracionada em concentrado de hemácias, plasma, concentrado de plaquetas e crioprecipitado.

Plasma é a parte líquida do sangue e corresponde a cerca de 55% do seu volume. Os outros 45% do volume do sangue são representados pelas células, como glóbulos vermelhos, plaquetas e glóbulos brancos. Glóbulos vermelhos ou hemácias são células que têm a função de transportar oxigênio dos pulmões para os tecidos e gás carbônico dos tecidos para os pulmões. São essas células que dão a cor vermelha ao sangue. A validade de um concentrado de hemácias varia de 35 a 42 dias. Plaquetas são pequenos fragmentos celulares cuja função é ajudar na coagulação do sangue, evitando sangramento em excesso. A validade de um concentrado de plaquetas é de apenas 5 dias. Glóbulos brancos ou leucócitos são células responsáveis pela defesa do organismo contra infecções.

O sangue representa cerca de 7% do peso corporal de um indivíduo adulto. A doação de sangue não engrossa nem afina o sangue. Doando sangue você não ganha nem perde peso. Mulheres podem doar sangue mesmo no período menstrual. A doação de sangue não oferece ao doador nenhum risco de contrair doenças infecciosas, portanto o doador não corre risco de contrair AIDS ou Hepatite com a doação de sangue. São cinco as etapas para uma doação de sangue: cadastro do doador, triagem clínica (inclui teste de anemia, verificação da pressão arterial, batimentos cardíacos, peso, temperatura e questionário sobre sua saúde), voto de auto-exclusão, doação propriamente dita (retirada de 400 a 450ml de sangue) e lanche pós- doação. Todo o processo de doação de sangue dura cerca de uma hora. O sangue doado é testado para seis doenças infecciosas transmissíveis pelo sangue: Hepatite B, Hepatite C, HIV, HTLV, Sífilis e doença de Chagas.

Requisitos necessários para doação de sangue é estar em boas condições de saúde, ter entre 18 e 65 anos, pesar no mínimo 50 Kg, estar descansado e alimentado (evitar alimentação gordurosa nas 4 horas que antecedem a doação), dormir pelo menos 6 horas nas últimas 24 horas que antecedem a doação e apresentar documento de identificação com foto emitido por órgão oficial (carteira de identidade ou documento oficial com foto).

São impedimentos temporários a gripe (aguardar 7 dias), gravidez (90 dias após parto normal e 180 dias após cesariana), amamentação (aguardar 12 meses após o parto), ingestão de bebida alcoólica nas 4 horas que antecedem a doação, tatuagem nos últimos 12 meses e situações nas quais há maior risco de adquirir doenças sexualmente transmissíveis, como não usar preservativo com parceiros ocasionais ou desconhecidos (aguardar 12 meses). Impedimentos definitivos para doação são hepatite após os 10 anos de idade, evidencia clínica ou laboratorial de doenças infecciosas transmissíveis pelo sangue, como Hepatites B e C, AIDS, doenças associadas ao HTLV I e II e Doença de Chagas, uso de drogas ilícitas injetáveis e Malária. O intervalo para doações no homem é de 60 dias, com 4 doações por ano, e na mulher, intervalo de 90 dias, com 3 doações por ano.

Se não houver sangue num hospital, as cirurgias serão canceladas. Pacientes submetidos a cirurgias cardíacas, transplantes de rins, fígado e de medula óssea, entre outras, necessitam muito de sangue e de plaquetas. As pessoas precisam entender que devem doar sangue não só atendendo ao apelo de que os estoques estão acabando. É preciso pensar que os estoques têm de estar nos níveis adequados para o primeiro atendimento caso aconteça um imprevisto, uma catástrofe. Sangue não sobra. Ninguém deve imaginar que o tipo de seu sangue é comum e que por isso não precisa doar. Precisa, sim, porque esse sangue vai fazer falta para alguém que necessita dele para viver.

A utilização de medicamentos por gestantes e as consequências sobre as futuras crianças passou a ser objeto de grande preocupação após fatos ocorridos no início dos anos 60. O primeiro caso descrito dessa natureza ocorreu em 1959 na Alemanha, com uma menina nascida sem os membros superiores e inferiores, sem antecedentes familiares de más-formações congênitas. Após várias observações semelhantes, considerou-se a hipótese de que fatores externos, talvez um medicamento novo, recém lançado, estivesse envolvido com a epidemia. Em 1961, pesquisadores sugeriram a associação do uso da talidomida durante a gestação. Tratava-se de um medicamento sedativo, utilizado no tratamento de náuseas e vômitos na gravidez, colocado no mercado mundial em 1956 e considerado na época, um medicamento pouco tóxico. Esse evento teve importante repercussão internacional, constituindo um alerta sobre a questão da segurança na utilização de novos fármacos, a importância de normas mais rigorosas em estudos clínicos antes da liberação de medicamentos para o consumo e a necessidade de criação de sistemas de fármaco-vigilância.

Acreditava-se que a placenta funcionava como uma barreira, protegendo o feto de qualquer agressão farmacológica. A tragédia da talidomida abalou essa crença, provocando uma maior cautela na prescrição e na utilização de medicamentos na gestação. Atualmente, sabe-se que a maioria dos medicamentos utilizados por gestantes atravessa a placenta e atinge a corrente sanguínea do feto. Não se trabalha mais com o conceito de barreira placentária. Deve-se considerar então, que quando uma grávida ingere ou recebe qualquer medicamento, os dois organismos serão afetados, sendo que um deles o feto, ainda não tem a mesma capacidade de metabolizar as substâncias que a mãe, pois não possui os sistemas plenamente desenvolvidos, estando, portanto, mais sujeito a efeitos negativos não esperados. Na maioria dos casos, o conhecimento é limitado, transformando a prescrição de medicamentos nesse período num grande dilema que deve ser bem avaliado entre o médico e a paciente.

Foram relatados casos de hipertensão pulmonar severa, com danos irreversíveis em um recém-nascido decorrente de tratamento da mãe, durante cinco dias, com diclofenaco (anti-inflamatório), duas semanas antes do parto. Ressalta-se que não há como privar gestantes e crianças dos riscos inerentes à terapia medicamentosa, já que nenhum medicamento é isento totalmente de riscos, a não ser pela suspensão total do uso de fármacos, o que seria inadequado. Até porque, assim como no restante da população, durante a gravidez, a mulher está sujeita a intercorrências que podem gerar a necessidade de intervenção medicamentosa.

Na gestação, os medicamentos só devem ser utilizados quando houver um benefício muito claro para a mãe e o produto estiver sendo comercializado há um tempo suficiente para ser considerado seguro em relação ao aparecimento de efeitos adversos. Recomenda-se que na ausência de dados sobre a utilização de um medicamento específico na gravidez, ele não deve ser receitado de forma alguma a gestantes. Os que são claramente teratogênicos, quando produz uma alteração na morfologia ou fisiologia normais do feto, ao ser administrado durante o desenvolvimento embriológico ou fetal. Essas alterações, principalmente as más-formações congênitas, têm maior risco de acontecer quando o medicamento é utilizado no primeiro trimestre de gravidez. Durante a maior parte desse período, a mulher pode não saber que está grávida, o que gera um outro problema, a gravidez durante o uso de medicamentos. Deve evitar-se a automedicação, principalmente nas mulheres, e sempre procurar a orientação médica para uso de medicamentos durante a gravidez.

Há mais de 200 causas de dor de cabeça (cefaleia). Cerca de 4% a 5% da população apresenta dor de cabeça crônica diária, dores que ocorrem por mais de 15 dias ao mês, por três meses sucessivos, e a enxaqueca é a principal causa. É ela que mais prejudica a qualidade de vida. As cefaleias tensionais são as dores de cabeça mais comuns. Como são mais leves, raramente os pacientes procuram ajuda. Já na enxaqueca, a dor de cabeça é um dos sintomas, acompanhado de tontura, enjoos, sensibilidade à luz, entre outros, e tem origem em um defeito genético. Alguns fatores desencadeiam as crises de enxaqueca, como estresse, sono, jejum, período menstrual e determinados alimentos.

Enxaqueca é um distúrbio neurovascular crônico e incapacitante, com base biológica que acomete as pessoas geneticamente predispostas. Esse tipo de cefaleia pode ocorrer em qualquer idade, mas costuma manifestar-se mais em adolescentes e adultos jovens e afeta mais as mulheres do que os homens. Em cerca de 15% dos casos, o quadro de dor é precedido ou acompanhado por uma aura premonitória que envolve sintomas neurológicos. Sua principal característica é o embaçamento da visão ou a presença de pontos luminosos ou manchas escuras nos períodos que precedem as crises dolorosas. Pessoas que sofrem de enxaqueca com aura, especialmente as fumantes que fazem uso de pílulas anticoncepcionais, têm risco aumentado de sofrer acidentes vasculares cerebrais.

A enxaqueca é uma doença multifatorial, mas algumas de suas possíveis causas ainda continuam indefinidas. No entanto, já se sabe que existem alguns gatilhos que podem desencadear as crises, tais como jejum prolongado, estresse, insônia, chocolate, queijos fortes, embutidos, consumo excessivo de café e de bebidas alcoólicas, fumo, alterações hormonais, certos perfumes e o açúcar.

O sintoma típico da enxaqueca é uma dor latejante e pulsátil, geralmente unilateral, de intensidade moderada ou forte, acompanhada por náusea e vômitos, hipersensibilidade à luz (fotofobia), aos sons e a certos odores, que se mantém de 4 a 72 horas e piora com o movimento. Irritabilidade, depressão, agitação são transtornos de humor que podem estar associados às crises de enxaqueca, ou antecedê-las.

O diagnóstico é clínico baseado no levantamento da história familiar e nas queixas do paciente. Para defini-lo, basta que a dor esteja acompanhada por três sintomas, sem necessidade de exames complementares.

O tratamento da enxaqueca é divido em tratamento preventivo, para se evitar que venha a dor de cabeça, e o tratamento agudo, para tratar a crise de cefaleia na hora que ela aparece. Os tratamentos da enxaqueca podem ser medicamentosos e não medicamentos. Muitos medicamentos podem ser utilizados, neuromoduladores (anticonvulsivantes), antidepressivos, betabloqueadores. Novas opções como a toxina botulínica podem ser utilizadas em alguns casos selecionados. Alimentação equilibrada, sono regular, prática de exercícios físicos, redução do consumo diário de cafeína, controle dos níveis de estresse são medidas que ajudam a diminuir a frequência e a intensidade das crises. O uso abusivo de analgésicos, sem acompanhamento médico, como automedicação, pode agravar as crises de enxaqueca

Carlos Alexandre de Oliveira e Silva

Durante a Parada Cardio-respiratória (PCR) o coração interrompe o bombeamento do sangue para órgãos, a pressão arterial cai a zero e o pulso arterial desaparece. Após 10 segundos da PCR a pessoa perderá a consciência e ficará não responsiva – após 10 a 12 minutos: MORTE CEREBRAL IRREVERSÍVEL.

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A hepatite é uma inflamação no fígado, órgão que tem múltiplas funções, como na produção das principais proteínas do organismo e a neutralização de substâncias tóxicas absorvidas pelo intestino. Embora essa inflamação possa ser decorrente de vários fatores, as causas mais comuns são as infecciosas virais, provocadas pelos vírus A, B e C. A hepatite A evolui frequentemente sem causar grandes problemas, nem deixar sequelas. A hepatite B, e principalmente na hepatite C, a doença pode se tornar crônica, ou seja, o vírus pode permanecer no organismo da pessoa infectada durante muitos anos. Nessa situação, a pessoa permanece com o fígado continuamente inflamado, podendo evoluir para cirrose ou câncer hepático.

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Diabetes Mellitus é uma doença do metabolismo da glicose causada pela falta ou falha na ação da insulina, hormônio produzido pelo pâncreas, e cuja função é quebrar as moléculas de glicose para transformá-las em energia, para que seja aproveitada por todas as células. A ausência total ou parcial desse hormônio interfere não só na queima do açúcar como na sua transformação em outras substâncias  como as proteínas e gorduras. Diabetes tipo I o pâncreas produz pouca ou nenhuma insulina. A instalação da doença ocorre mais na infância e adolescência, é insulinodependente, necessita da aplicação de injeções diárias de insulina. Diabetes tipo II as células são resistentes à ação da insulina. Hoje, no Brasil, há mais de 13 milhões de pessoas vivendo com diabetes, o que representa 6,9% da população. E esse número está crescendo. Em alguns casos, o diagnóstico demora, favorecendo o aparecimento de complicações.

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É uma doença viral aguda, transmitida principalmente por mosquitos, como Aedes aegypti, largamente difundido em todos os municípios do Brasil, caracterizada geralmente por uma evolução benigna, com a cura espontânea.

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A diverticulite é a inflamação dos divertículos, ou seja, de pequenas bolsas, hérnias ou dilatações saculiformes que se formam em pontos frágeis na mucosa do intestino grosso, o cólon, em decorrência do aumento constante da pressão nesse segmento para a eliminação das fezes. Em geral, os divertículos costumam  aparecer depois dos 50 anos, acompanhando o envelhecimento do ser humano, e passam despercebidos em muitas pessoas. Estima-se que 30% da população mundial tenham esse problema, que, contudo, só incomoda em cerca de 10% a 15% dos casos. O fato é que, como acumulam fezes em seu interior, essas hérnias, sob condições apropriadas, podem funcionar como um meio ideal para  a proliferação de bactérias, daí porque se inflamam. Quando as hérnias existem, mas sem inflamação, diz-se tratar-se de diverticulose ou doença diverticular. Apesar de poder ser facilmente tratada em 80% de seus portadores, essa inflamação traz consigo um risco iminente de complicações, entre as quais a formação de conexões anormais (ou fístulas) entre o intestino grosso e outros órgãos próximos, especialmente com a bexiga, a perfuração intestinal e a infecção da cavidade abdominal, ou seja a peritonite, causada pela migração do conteúdo intestinal para essa região. A diverticulite afeta especialmente a população da terceira idade e, entre eles,  tem predileção por indivíduos que fazem tratamentos para o câncer, pelos diabéticos e todas as pessoas com o sistema imunológico comprometido.

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A Cardiologia é a especialidade médica que estuda, realiza diagnósticos, previne e trata as doenças que acometem o coração e os outros componentes do sistema circulatório.     As doenças cardiovasculares são altamente prevalentes, representam a primeira causa de morte no Brasil e no mundo, superando as mortes por câncer e violência. Estima-se no Brasil mais de 300 mil mortes por ano causadas por doenças cardiovasculares, principalmente pelo infarto do miocárdio e o “derrame” (acidente vascular cerebral).

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A aorta é a maior e principal artéria do organismo. Ela recebe todo o sangue ejetado do ventrículo esquerdo do coração, distribuindo-o para todo o corpo, com exceção dos dois pulmões. A aorta ramifica-se em artérias menores ao longo de seu trajeto, desde o ventrículo esquerdo até a parte inferior do abdome, ao nível da porção superior do osso do quadril. Sua parede apresenta três elementos principais: o endotélio (revestimento interno em contato direto com o sangue), a camada média (tecido muscular e elástico) e a adventícia (camada mais externa fibrosa). O diâmetro  normal da aorta varia de 2 até 2,5 cm. As doenças da aorta incluem os aneurismas (dilatações em regiões frágeis de sua parede), ruptura da aorta, hemorragia e a dissecção aórtica (separação da camadas de sua parede por entrada de uma coluna de sangue). Qualquer um desses distúrbios pode ser imediatamente fatal.

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